Sei que além das cortinas há palcos azuis, onde se arranca vida, estufa veia e pulsa, pulsa, pulsa, pulsa mais.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Homenagem a Cora


É, quase abandonei o blog né? Mas ainda tem chance... kkkkk

Bom, vou mostrar o que me motivou a postar: um milho preto.

Cara, vocês já se depararam com algum tipo de informação completamente absurda em que vc nega até a morte, ri do seu amigo, mas no final o absurdo é verdadeiro?
Eu quase sempre fico extremamente assustada com isso.
Morro de medo do abismo entre visões particulares da realidade e a realidade em si. Ok, ok, querido cliché...como alguém no mundo pode ousar dizer que a realidade é algo concreto, único e definível??? Oh, pois é, sei, mas se não começarmos a filosofar sobre o meio entre dois extremos, podemos nos virar muito bem.
Não devo ter sido clara...precisava das minhas mãos....
É que dá pra você tirar uma base do que seria mais real pegando uma visão generalizada ou compartilhada por muitas pessoas e comprará-la com uma visão particular, sendo ambas opostas num nível suficiente que o meu bom senso diz que tá errado. Meu? é, acabei de assistir House e to querendo enfiar um tiro em pseudofilósofos, eu sei que não sou dona do bom senso e ahhhhhh...vou parar de me justificar, conto com o bom sendo de vcs tb (médo).
Um exemplo bom seria o Javier Bardem com um rosto super diferentoso ter um colega de trabalho absurdamente parecido com ele (Jeffrey Dean Morgan http://oglobo.globo.com/blogs/arquivos_upload/2009/03/13_2520-0324-bardem-morgan.jpg), uma garota negra que conheci me dizer que passou pó de carvão na cara p/ passar de cotas na unb (e achar um absurdo eles terem acreditado). Eeeeeeeeeeeeeee descobrir com um amigo, depois de rir bastante, que existe um MILHO PRETO que os peruanos usam p/ fazer, suco, gelatina, doces, etc.
Ok, eu fico meio absurdada mesmo. Com questões agronômicas, só fico bem intrigada em ver que existe mta coisa além do que eu imagino...mas quando se trata da percepção humana eu sempre morro de medo e fico impressionadíssima.
Morro de medo do que eu vejo no espelho não ter nada a ver com oq as pessoas geralmente veem ou quando alguém perde claramente a noção do que está fazendo e ela não percebe isso de forma alguma. Acho isso tudo muito estranho.

Maaaaaas, mais estranho que isso seriam os poemas completamente obscuros da Cora Coralina se ela soubesse da existência do milho negro.
Gostaria de fazer sussesso em goiânia com minhas afro-pamonhas, tb. Seria divertido.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Dr. Abuse

Atualizando meus amiguinhos problemáticos, descobri na minha matéria "O Uso do Computador em Psicologia" (que por sinal é mto boa) que existe um software de inteligência artificial que simula a clínica. O divertido é que vc pode ter consultas com o robô, pois ele realmente lembra do que vc disse antes e faz algumas relações entre isso e coisas que contecem com vc no presente.
Obviamente ele está sempre devolvendo perguntas, como alguns psicólogos, inclusive rs.
Vc pode escolher quantidade de frases por consulta, assim, depois que estourar o limite, seu psicólogo encerra a consulta com jeitinho.

Só queria deixar a dica pros psicólogos que se encaixam na piada do Rogers que estão ficando ultrapassados, tem uma versão fresquinha 4.2 gratis, rs. Download: http://www.psicoactiva.com/abuse/drabuse.htm

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Tentador!!!

Ganha uma poesia-bonita feita por mim (que não terei vergonha de publicá-la aqui) quem conseguir colocar meu título e subtítulo agrupados na direita do meu blog, ao lado do Toulouse-Latrec (na parte azul).
Prometo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O blog

Então, meu medo de fazer esse blog tava quase tão aterrorizante quanto eu louca na rua correndo do Nada. Medo mesmo, mas um medo meio entediado...era só adiar pra sempre a vontade de criar, e era mais ou menos o que eu estava fazendo.
Acho que o medo mais claro é o de escrever. Eu sabia que minhas intenções com meu blog seria diferente dos que eu conheço por que eu, realmente, não sei escrever. Esse é o ponto, adoro literatura, adoro contos, adoro me entreter quando algum amigo escreve uma história linda sobre uma velhinha ou uma gatora de 14 anos coberta de criatividade, surpresas, formas de escrita impressionantes e tocantes. Porém eu realmente não sei fazer isso e nem tenho intenção (essa falta de intenções com certeza vem da cru consciência de que eu não sei escrever mesmo e sou PÉSSIMA quando se trata de expressão por meio de palavras). Não esperem nada do gênero nesse blog então, rs.
Outro medo seria saber com a maior certeza do mundo que será ultra pessoal (médo) e eu me conheço, se me disponho a me abrir a coisa sempre vai mais fundo do que eu esperava. E eu ando me sentindo uma pessoa em silêncio no mundo.
Aí é que entra minha maior motivação p/ esse blog. O silêncio é algo viciante que ao mesmo tempo dilacera. Parece que depois que entramos nessa, é um caminho sem muito retorno visível e super dolorido...dolorido mesmo.
Somos eternamente carentes e eu me sentia muito melhor quando saía falando pelos cotovelos sobre mim, não vendo ou não me importando com qualquer detalhe do ouvinte que não fosse muito óbvio. Detalhes que me fazem calar ultimamente...e é incrível o quanto fico cada vez mais atenta a olhares e gestos dos ouvintes (é tortura).
Bom do blog é isso, não tem ninguém me ouvindo diretamente, e eu não preciso ver a cara de ninguém que lê. Talvez fosse a chance de eu voltar a falar mais sobre mim e o que penso.
Pois então, esse vai ser um blog mais meu que seu. Não vai entreter ninguém de "forma literária", mas acredito que talvez vai entreter amigos curiosos sobre a pessoa que anda mais caladinha (Oi beto!).

Beijinhos. rsrs.

Insônia

Mais uma noite-5-hrs-da-manhã e sentindo tudo a flor da pele. Cheguei em casa resolvendo do nada arrumar minha gaveta, a única aqui em casa que é completamente minha. Arrumei meus livros esquecidos, minhas coisas de depilação, meus certificados, joguei fones de ouvido velhos no lixo e ...vi duas cartas suas, um cd e o dvd do sigur rós e um bloco de partitura escrita a mão que praticamente exala carinho e cuidado. Cartas simples, absurdamente bonitas e sinceras ...sempre remetendo a merda toda que a gente estava prestes a passar e que agora estamos já cansados de passar por. O amor sempre o mesmo, que merda, que merda, merda e merda. Guardei elas bem lentamente (sorrindo) dentro de um embrulho com estampa de flores, que vc me deu ...acho que compensando os anos que esqueceu de me dar flores (rsrs).
Passei p/ partitura ...que letra linda, eu já sei que ela é linda, mas está mais que o normal só p/ me impressionar rs. Li cada anotação, ri de uma que dizia que o Sol quadro estava realmente certo em tal lugar. Tive preguiça de olhar e analisar por três horas p/ confirmar o que eu suspeitava: alguma dissonância tão dissonante a ponto de deixar alguém pensando se vc não havia esquecido de revisar aquilo? Se for, aposto que ela só não funcionaria perfeitamente e de forma belíssima para ouvidos insensíveis.
Eu sabia que encontraria, claro, mas ainda assim me surpreendi como se nunca tivesse visto: "confesso que estou desiludido com a minha música e a única coisa que me move é pensar que ela é um presente pra você".
Guardei cada lembrança, cada pedacinho de amor de forma milimetricamente pensada, com ordem de prioridade na minha gaveta de ouro. A melhor parte da minha casa e a mais preciosa que parece vir de um outro mundo que já vivi, um mundo bem mais leve que esse. Sei que só posso olhar para ela o mínimo possível, o limite entre a leveza e o desespero que isso pode me causar é pequeno e eu não faço menor idéia de onde ele está.
Não posso deixar de dizer o que mais sinto agora. Obrigada, amor da minha vida. Obrigada por cada pedacinho seu aqui.

Brasília


"Solidão é lava que cobre tudo"
(Dança da Solidão - Paulinho da Viola)
Moro aqui faz quanto tempo, dois…dois anos e meio? A preguiça de raciocinar de sempre...vamos lá. Isso, dois anos e meio e até hoje tem algumas coisas em Brasília que me intrigam muito.
Hoje passou de intriga, fiquei apavorada mesmo. Assisti dois filmes no Pi (sei que meu blog não terá mais que leitores amigos, mas melhor explicitar que ‘Pi’ não é nome de um dive-in, sim um amigo). O primeiro, melhor que eu esperava e o outro muito ruim, como eu já esperava. Acho que isso também faz parte da função de um blog então vá lá: “Um Jogo de Vida ou Morte” e “Sunshine”, respectivamente. O primeiro foi legal, o segundo é de uma breguice engraçada meio 80’s. Saí da casa dele umas 3 e meia da manhã e dessa vez não tinha conseguido estacionar na frente do prédio, o carro ficou em um rua residencial próxima. Tinha minha bolsa de um lado e meu notebook de outro. Quando saí do prédio me deparei com algo mais típico brasiliense impossível: nada. Nenhum movimento, nenhum som, nenhuma pessoa, até o vento parece parar de madrugada. Tem inúmeros carros parados, entupindo estacionamentos, ruas...não me impressionaria se visse um carro se equilibrando em cima de uma placa de proibido estacionar, mas fico completamente impressionada de não ver absolutamente nenhum ser vivo, nenhuma pessoa indo ao encontro do seu carro. Ninguém e nada.
Começou a me bater um pavor absurdo. Minhas pernas queriam correr pro carro, mas eu estava com medo do que exatamente? Acho que estava com medo de ser roubada, surpreendida ou de estar completamente sozinha. Comecei a pensar o que me traria mais medo: uma, duas ou dez pessoas - podem ser homens estranhos - na rua, ou simplesmente essa solidão absurda? Sei lá! Sabia que estava apavorada e estava sendo uma eternidade p/ chegar ao carro. Na minha cabeça estava sempre a idéia de correr, mas achei irracional, eu ia correr de quem? Não sei se eu estava correndo da possibilidade de ter alguém escondido me esperando ou da hipótese que me soa extremamente absurda de não ter absolutamente ninguém por perto. Abri a porta, joguei minha bolsa e meu notebook no banco do passageiro, liguei o carro e me senti mais segura quando saí. Passei pela comercial do Pi, que é bem cheia mais cedo, e ninguém...não vi nenhum movimento. Nas ruas só tinha o meu carro, mesmo assim olhei direitinho o cruzamento e minha preferencial na rótula. Afinal, what the hell acontece nessa cidade? As pessoas simplesmente vão dormir...todas? Elas se escondem? Às vezes penso que Brasília é uma cidade em sua essência blasé. Entediada, não sei. Mas cara, até os ladrões são entediados?! Não tinha ninguém me esperando pra me roubar MESMO? Fiquei imaginando um ladrão se sentindo um velho solitário num barco, esperando calmamente por 12 horas pescar um peixe num rio praticamente morto. Consigo ver ele mascando capim, folha de coca, comendo pó de café e mesmo assim dormindo de tanto tédio em esperar alguém. Acho que é isso, aí eles preferem dormir, igual a maioria aqui. Acho mais fácil comprar um carro usado-fodido (ou roubar um, de dia) e ganhar dinheiro com lotação, sei la.
Quase sempre que estou aqui, realmente me sinto sozinha. Mas sinceramente, ando me sentindo cada vez mais em casa. Eu sou uma das pessoas que preferem estar em casa de madrugada e aqui, mesmo trabalhando e estando extremamente ocupada, parece que meu espírito descansa, me sinto mais perto de mim. Tenho um tempo meu, e muito desse tempo que sobra pra mim está justamente nessas noites brasilienses. Gosto desse clima, gosto de poder ler, locar mil filmes, passar horas ouvindo música e poder escolher fazer isso sozinha. Também nunca esqueço de uma das melhores sensações que eu já tive que foi estar entre amigos, no meio do eixão sozinhos, gritar e quase ouvir ecos. Faço parte disso, sinceramente.